sábado, 15 de janeiro de 2011

TEMPESTADES

ney (clique para ampliá-la)
Assim já descrevia Euclides da Cunha: "Por momentos um cúmulus compacto, de bordas acobreado-escuras, negreja no horizonte. Deste ponto sopra, logo depois, uma viração, cuja velocidade cresce rápida, em ventanias fortes. A temperatura cai em minutos e, minutos depois, os tufões sacodem violentamente a terra. Fulguram relâmpagos; estrugem trovoadas nos céus já de todo bruscos e um aguaceiro torrencial desce logo sobre aquelas vastas planícies."
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Pois é, e entre esses possíveis mitos ou verdades que fazem parte de nossa passagem, eterno aprendizado e crescimento, nossos antepassados diziam: - Nada de ir jogar bola no campinho que está armando uma tespestade daquelas, com muitos raios e trovões; nem tomar banho de mar, rio, piscina, ficar embaixo de árvores; não fale no telefone, não pegue tesouras, nada de banho de chuveiro agora, desligue esses aparelhos elétricos, andar de bicicleta nem pensar, cuidado com as cercas metálicas, varais. Bem, foi assim na minha infância, de tantas chuvas, garoas, guarda-chuvas, capas, galochas
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E quase tudo isso está agora nesses atuais informativos das empresas de eletricidade, nos jornais, TV, Internet: Primavera e verão são as estações do ano em que mais chove. Normalmente são tempestades que se precipitam sempre após um dia abafado. Com as chuvas vêm os trovões e os temidos raios e, para quem acha que ter cuidado com eles é TOLICE, saiba que o Brasil é o país com maior incidência no mundo, com cerca de 100 milhões de raios por ano.
Um cuidado muito importante nestas condições é se proteger, mas nunca sob a falsa proteção de árvores que atraem os raios. Também é necessário evitar ficar próximo aos trilhos, cercas de arames, postes e linhas de energia elétrica. Não ande em topos de morros e campo aberto, incluindo campos de futebol, quadras e parques.
Evite piscinas, aparelhos elétricos, ferro, secador de cabelo, chuveiro, televisão, telefone ou celular. Não empine pipas, afaste-se de tomadas, canos, janelas e portas metálicas (CETRIL).
Então... não eram tanto tolices ou mitos como alguns diziam. Tolice foi o gigantismo das cidades, a impermealização total dos solos, a ocupação desordenada de espaços e a poluição em todas as suas formas .
Mas, neste caso das tragédias na região serrana do Rio, e outras, foi constatado em observações aéreas, como vimos na TV, que elas tiveram origem principalmente nos deslizamentos no alto das serras, mais distantes da presença humana, devido as chuvas de enconta causadas pelas montanhas que barram a passagem das nuvens. É alto o índice pluviométrico na Serra do Mar, e apesar da rica biodiversidade da mata atlântica, ela está sujeita a esses deslizamentos. E mais esse comprometimento das intensas chuvas causadas pelo fenômeno La nina. Pior que tudo aconteceu na madrugada escura. E são tantas as erosões e os fenômenos que fazem parte dessa movimentação da TERRA. Assim dizem os cientistas e assim explicaram nas muitas entrevistas realizadas nesses dias de tragédia.
Contudo, poderíamos ter evitado os danos maiores que acontecem por conta dessas nossas interferências e descuidos com a natureza. E enquanto não corrigimos todos esses erros, na medida do possível, vale rezar, de todos os jeitos, agir, interagir, refletir, planejar, desejando que essas chuvas não cheguem causando tantos estragos e sofrimentos humanos. Mas um orar livre e libertador, sem medos, radicalismos e verdades absolutas, esse que faz parte da natural espiritualidade humana, voltado para o amor, a solidariedade, e que não nos tem faltado nessa imensa diversidade que vivemos. (ney)
DEFESA CIVIL (Tempestades):
http://www.defesacivil.df.gov.br/005/00502001.asp?ttCD_CHAVE=10343

2 comentários:

Zen disse...

Meu querido, muitos desses conselhos de nossos antepassados são verdadeiros e devemos nos proteger de tempestades que são muito perigosas, gostei demais da sua advertência nos lembrando desses perigos que às vezes nos passam despercebidos. Estou lamentando toda essa tragédia que estamos vivenciando no nosso estado novamente, tudo isso me entristece muitíssimo... Paz e amor. Forte abraço. Sandra.

ney disse...

Sanda,
Obrigado pela presença amiga. Nossos JAN/FEV/MAR já não são como aqueles que tínhamos férias de verdade, praia, passeios, viagens, as chuvas chegavam só no final da tarde para refrescar a noite.
Agora é "pau, pedra, fim do caminho", se o Jobim estivesse por aqui ia mudar o nome da música de Águas de Março para TEMPESTADES DE VERÃO.
Tomara que Dona La Nina dê um tempo. Abraço/ney