quarta-feira, 10 de março de 2010

ROUPAS NO VARAL







Fotos ney.
Somos um Brasil de muitas aquarelas, exaltando nossas qualidades e grandiosidades, como a do "Brasil Brasileiro" de Ary Barroso. Criticas existem sobre esse ufanismo, esse modo encantado de falar de nossas belezas e riquezas, já que atendem aos oportunismos políticos, econômicos e sociais, explorando o entusiasmo e a boa fé do nosso povo.
Mas acho que é mesmo nosso jeito de ser, de dizer com música e poesia, todo nosso encanto por essa imensa diversidade. "E assim fizemos dela um palco iluminado... nossas roupas comuns dependuradas, qual bandeiras agitadas, parecendo um estranho festival. Festa dos nossos trapos coloridos, a mostrar que nos morros mal vestidos, é sempre feriado nacional. A porta do barraco era sem trinco, mas a lua furando nosso zinco, salpicava de estrelas nosso chão. Tu pisavas nos astros distraída, sem saber que a ventura desta vida, é a cabrocha, o luar e o violão (chão de estrelas - Silvio Caldas e Orestes Barbosa).
Nota: Era assim em nossa casa com quintal, os varais de arame sustentados por longos bambus, a roupa pendurada secando no sol e no vento. Na hora da chuva era uma correria para se recolher toda a roupa. E ficou essa imagem de infância. (ney).

5 comentários:

Amapola disse...

Bom dia.
O nosso Brasil é assim mesmo, né?
Essa mistura de cores, de sons, de tudo.
Seu texto é lindo.
Essas lembranças do passado, eu as pratico ainda hoje, com o maior prazer. Eu gosto de lavar roupa, mas é no tanque mesmo. Não uso máquina de lavar. O contato com a água... ver a roupa limpa... depois no varal...
Nos dias de chuva, continuo correndo para pega-las.
Na vida, tem muitas coisinhas gostosas de se fazer. Para mim, é uma terapia. É lógico que se o volume de roupa fosse enorme, eu teria que me render à máquina de lavar.

Um grande abraço.

ney disse...

Pois é, Amapola, muitas coisas ficam na lembrança, marcam nossas vidas. Como você bem disse, "coisinhas gostosas de se fazer, e mesmo uma terapia".
Tenho uma foto eu e meu irmão brincando no meio das roupas no varal, minha mãe olhando e rindo. Éramos bem pobres, morávamos em Nilópolis, próximo as linhas de trens da Central do Brasil. Meu pai nem queria, mas ela gostava de ajudar nas despesas, tinha uma horta, plantava de tudo no quintal, e vendia na vizinhança. Lavava roupa para fora, carregávamos aquelas trouxas de roupas na cabeça, atravessávamos a linha férrea para o outro lado mais nobre do lugar. Depois comprou uma máquina de costura e ficou só de costureira, eu levava e buscava as encomendas no alfaiate. Vida dura, mas de amor e boas lembranças.
Tudo isso me inspirou a essa postagem do ROUPAS NO VARAL, são imagens e momentos que ficaram. Acho que vou até acrescentar ao post. Obrigado pela presença amiga, pelo comentário, por essas trocas. Como aposentado continuo nos serviços gerais (rs). Abraço.

Mai disse...

Fiquei sem palavras diante do texto e da história que li e a fotografia trouxe-me a lembrança de um texto que escrevi - 'amenos cordéis'. Há um cheiro nas roupas estendidas nos varais que remete-nos imediatamente à nossa infância. (fico pensando se não ~foram as brincadeiras por entre os lençóis estendidos nos quintais...)
Abraços

Eduardo Rocha disse...

Tremenda foto é a primeira. Maravilha mesmo. adorei.

ney disse...

Valeu, brother.
Bati rapidinho, o dono da casa estava me olhando, poderia não gostar. Depois voltei bati mais duas, mas o inesperado, às vezes, fica melhor que o pensado. Indo de Jurujuba para Adão e Eva. Como as "casas simples, com cadeiras na calçada, e na fachada escrito em cima que é um lar, pela varanda flores tristes e baldias..." Gente Humilde - Chico Buarque.
Abraço.