segunda-feira, 5 de outubro de 2009

VOU-ME EMBORA PRO PASSADO (clique aqui)

POESIA COMENTADA

O ÁTOMO (Murilo Mendes)

Agasalha-me à sombra do teu corpo.
Aninha-me entre teus seios,
Aquece-me no calor do teu ventre:
Coisa ínfima, quero ficar perto de ti
como um pássaro que fugiu da tempestade.
Eu sou uma moeda que Deus deixou rolar no chão.

Neste poema, os verbos agasalhar, aninhar, aquecer, ficar (perto), fugir (da tempestade), revelam o desejo de fusão. Corpo, ventre e seios são imagens que se agregam aos verbos referidos, para expressar o desejo de superar a vivência da separação. O poema mescla misticismo e sensualismo, sugerindo a fusão a outro corpo, na forma que o ÁTOMO se agrega, constituindo a matéria (Ana Maria Lisboa de Mello em POESIA E IMAGINÁRIO).

domingo, 4 de outubro de 2009

MURILO MENDES - O FILHO DO SÉCULO



Clique sobre a imagem para ampliá-la (foto ney)
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Nunca mais andarei de bicicleta
Nem conversarei no portão
Com meninas de cabelos cacheados
Adeus valsa "Danúbio Azul"
Adeus tardes preguiçosas
Adeus cheiros do mundo sambas
Adeus puro amor
Atirei ao fogo a medalhinha da Virgem
Não tenho forças para gritar um grande grito
Cairei no chão do século vinte
Aguardem-me lá fora
As multidões famintas justiceiras
Sujeitos com gases venenosos
É a hora das barricadas
É a hora da fuzilamento, da raiva maior
Os vivos pedem vingança
Os mortos minerais vegetais pedem vingança
É a hora do protesto geral
É a hora dos vôos destruidores
É a hora das barricadas, dos fuzilamentos
Fomes desejos ânsias sonhos perdidos,
Misérias de todos os países uni-vos
Fogem a galope os anjos-aviões
Carregando o cálice da esperança
Tempo espaço firmes porque me abandonastes.

Murilo Monteiro Mendes fez seus primeiros estudos em Juiz de Fora e depois, no Colégio Salesiano de Niterói. Escritor fértil, obra abundante... veja em http://educacao.uol.com.br/biografias/ult1789u611.jhtm

RESSACA EM NITERÓI - 01/10/09
















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A grandeza da criação e a beleza da natureza bem a nossa volta. E tudo de graça, bastando SER, ao invés de TER, e nem ao menos estamos sabendo cuidar. (ney)

sábado, 3 de outubro de 2009

RESSACA II



Clique sobre as imagens para ampliá-las (fotos ney). E a ressaca que chegou com a frente fria, ainda continuou por todo o dia de ontem...

"Nessa pedra alguém sentou para ver o mar
Mas o mar, não parou para ser olhado
E foi mar, pra todo lado. (Paulo leminski).

JORNADA


Clique sobre a imagem para ampliá-la (foto ney) - Cachoeiras do Frade - Teresópolis-RJ.

Poder quedar-se
numa cachoeira,
com um barulho que não tem descanso.
E derramar-se toda,
como um pranto,
morrendo ao leito,
sentindo o remanso.
Voltar ao sal numa nova onda.
Subir ao céu toda evaporada.
Tão encharcada
numa outra nuvem,
voltar a terra
em forma de chuva,
recomeçando a sua jornada. (João Felinto Neto)

sexta-feira, 2 de outubro de 2009