quarta-feira, 17 de março de 2010

MINHA HISTÓRIA (clique aqui)









MINHA HISTÓRIA - Chico Buarque
(fotos ney)

Ele vinha sem muita conversa, sem muito explicar
Eu só sei que falava e cheirava e gostava de mar
Sei que tinha tatuagem no braço e dourado no dente
E minha mãe se entregou a esse homem perdidamente

Ele assim como veio partiu não se sabe pra onde
E deixou minha mãe com o olhar cada dia mais longe
Esperando, parada, pregada na pedra do porto
Com seu único velho vestido cada dia mais curto

Quando enfim eu nasci minha mãe embrulhou-me num manto
Me vestiu como se fosse assim uma espécie de santo
Mas por não se lembrar de acalantos, a pobre mulher
Me ninava cantando cantigas de cabaré

Minha mãe não tardou a lertar toda a vizinhança
A mostrar que ali estava bem mais que uma simples criança
E não sei bem se por ironia ou se por amor
Resolveu me chamar com o nome do Nosso Senhor

Minha história é esse nome que ainda hoje carrego comigo
Quando vou bar em bar, viro a mesa, berro, bebo e brigo
Os ladrões e as amantes, meus colegas de copo e de cruz
Me conhecem só pelo meu nome Menino Jesus

terça-feira, 16 de março de 2010

ESPIRITUALIDADE


foto ney - Igreja São Francisco Xavier - Niterói-RJ.

A vida é um constante aprender, perceber, constatar, que se torna um conhecimento quando formamos uma idéia clara e definida na consciência. São muitas correrias, circunstâncias, nem sempre podemos refletir, encontrar a melhor harmonia espiritual e física. Além disso, sofremos influências de pessoas próximas e do pensamento universal ao longo do tempo.
Dos preceitos religiosos foi dito que eu deveria acreditar em todos, como dogmas, mesmo que a missa fosse em Latim. Adorar a Deus, meus pais só poderia amar. Mas tudo bem, em se tratando de amor eu não ia complicar. Estudei em colégio católico, mas convivi bem com todos a minha volta. De um modo ou de outro, cheguei numa espiritualidade de paz e amor, sem verdades absolutas. A foto foi só um dos jeitos de dizer desses sentimentos, o que mais conheci, mas devem todos nos libertar e fazer amar. (ney).

segunda-feira, 15 de março de 2010

CHUVA E APAGÃO


Mas este março é mesmo atrapalhado fechando o verão, com tanta água, pau, pedra, resto de toco, caco de vidro, como diz a bela canção do Tom Jobim (Águas de março). Um calor sufocante, melado, o ar parado, trazendo no final do dia as tempestades.
E foram muitos bairros sem luz, lembrando os tempos de antigamente, eu bem que sempre achei esquisita essa palavra PRIVATIZAÇÃO, onde se paga muito por pouco, e nem podemos reclamar, porque não atendem os consumidores. Lucro abusivo não combina com utilidade pública (foram umas 8 horas sem energia, fora o indo e voltando, os piques que detonam os aparelhos domésticos. E nem precisa tanta chuva e vento.

sexta-feira, 12 de março de 2010

CHEGANDO JUNTO NUMA BOA CONVERSA


foto ney - Niemeyer e JK conversando num banco no "caminho niemeyer" - Pça. JK - Niterói.

Um procura um parteiro para os seus pensamentos, outro alguém a quem possa ajudar: é assim que nasce uma boa conversa.
Friedrich Nietzsche

GRANDE PAI


Jurujuba é um recanto tranquilo de Niterói, pequena comunidade que vive da pesca. Lindas enseadas, fortes antigos, montanhas, pontos históricos e turísticos, famosa pela festa de São Pedro.
Bom poder parar, sentar, apreciar a paisagem, sentir a brisa, o cheiro de mar, desacelerar a vida.
Nos reflexos das suas águas calmas muitos brilhos e cores, Criações do Grande Pai. Um convite à fotografia. Click! (ney)
Boa sorte e muita luz para o barco GRANDE PAI e os demais.

ROUPAS NO VARAL II

Quero acrescentar algo sobre a postagem anterior. Tudo sempre tem um significado maior. Éramos muito pobres quando eu nasci, morávamos no coração do Rio de Janeiro, na época ainda Capital do Brasil - Rua Paissandu (Flamengo), um carioca da gema. Era num quarto de uma casa de cômodos, numa vila de casas antigas, ao fundo um cortiço. Eu e o irmão mais velho ficávamos de brincadeira com as moças lavando roupa num tanque comum, correndo entre os lençóis pendurados no varal, imitando as batidas da roupa no tanque, volta e meia levando corridas delas.
Depois fomos morar distantes do centro do Rio (Nilópolis), ramal dos trens da rede ferroviária Central do Brasil. A casa bem simples tinha um bom terreno, e para ajudar meu pai nas despesas, plantava de tudo no quintal, que vendia também na vizinhança. Lavava roupa para fora, carregávamos as trouxas na cabeça para levar do outro lado da estação, na parte mais nobre da cidade. Depois comprou uma máquina e ficou só na costura, atendendo as encomendas dos alfaiates.
Tenho fotos brincando de correr entre as roupas penderadas no varal, então ficaram na memória essas imagens e bons momentos de criança, cercado de muito amor. (ney).

quarta-feira, 10 de março de 2010

ROUPAS NO VARAL







Fotos ney.
Somos um Brasil de muitas aquarelas, exaltando nossas qualidades e grandiosidades, como a do "Brasil Brasileiro" de Ary Barroso. Criticas existem sobre esse ufanismo, esse modo encantado de falar de nossas belezas e riquezas, já que atendem aos oportunismos políticos, econômicos e sociais, explorando o entusiasmo e a boa fé do nosso povo.
Mas acho que é mesmo nosso jeito de ser, de dizer com música e poesia, todo nosso encanto por essa imensa diversidade. "E assim fizemos dela um palco iluminado... nossas roupas comuns dependuradas, qual bandeiras agitadas, parecendo um estranho festival. Festa dos nossos trapos coloridos, a mostrar que nos morros mal vestidos, é sempre feriado nacional. A porta do barraco era sem trinco, mas a lua furando nosso zinco, salpicava de estrelas nosso chão. Tu pisavas nos astros distraída, sem saber que a ventura desta vida, é a cabrocha, o luar e o violão (chão de estrelas - Silvio Caldas e Orestes Barbosa).
Nota: Era assim em nossa casa com quintal, os varais de arame sustentados por longos bambus, a roupa pendurada secando no sol e no vento. Na hora da chuva era uma correria para se recolher toda a roupa. E ficou essa imagem de infância. (ney).