quarta-feira, 7 de outubro de 2009

PORTA ENTREABERTA



Suave luz, brisa, perfume, música
Olhar, brilho, acolhimento, sentimento, envolvimento
Momento cálido, eterno, pleno, inesquecível
Eu e você.

foto e texto (ney).

Ah! Lembrei da música do Ivan Lins, que diz melhor, e vou acrescentar:
http://www.youtube.com/watch?v=y_aGk4JtR9o

terça-feira, 6 de outubro de 2009

O PINTOR (João Felinto Neto)

Não há tinta em minhas mãos,
não há telas.
Não passa de invenção,
a embarcação
e as velas.

Não há mar e nem gaivotas,
nem mesmo uma pequena ilha.
Não há pessoas nas portas.
Não há vila.

Porém na imaginação,
de um borrão faço uma ilha.
Ponho água, céu e chão.
Crio a mais bela vila.

Ponho pessoas nas portas,
outras correndo pro mar.
Ponho um barco, rumo a terra,
velas e o vento a soprar.

Ponho alguém a escutar,
o barulho das gaivotas,
a onda que vai e volta,
e o canto de Iemanjá.

Ponho um sol já a se pôr
no entardecer do dia.
Ponho cor e harmonia,
como poria o pintor
em seu quadro de valor,
a mais bela poesia.

RUA - MEDO (João Felinto Neto)

RUA (João Felinto Neto)

Bela calçada, dama passada, diurnamente movimentada. Na madrugada, sem companhia, apenas o cão que ladra. Onde se mora, onde se pisa, no tempo és encantada. Um que se vai, outro que chega, saudade recompensada. Quando se morre, fica de luto. Quando se nasce, se comemora. Às vezes triste, desanimada, outras alegre e festejada. Quando se parte, nunca se esquece, daquela rua em que se cresce.
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MEDO (João Felinto Neto)

A escuridão que tanto temia na minha inocência, por medo de monstros que me perseguiam numa fantasia, já não mais a temo. A maturidade nos mostra a realidade, triste realidade, de que na claridade somos presas fáceis de nós mesmos. Criança, não tenha pressa de crescer. Agora, o seu futuro ainda é escuro, mas será tão claro, que sentirá saudade do que foi outrora, inocente.
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Encontrei a poesia de João Felinto Neto pesquisando um tema no google, e lendo todos os textos que encontrei na biblioteca virtual de escritores e komedi http://www.komedi.com.br/escrita/leitura.asp?Texto_ID=2555 fiquei realmente impressionado com tudo. Muita alma, vida, sonho, realidade, sensibilidade, encantamento, mergulho no tempo, em nós mesmos. Viajei e me identifiquei em cada um deles. DEMAIS!

segunda-feira, 5 de outubro de 2009

VOU-ME EMBORA PRO PASSADO (clique aqui)

POESIA COMENTADA

O ÁTOMO (Murilo Mendes)

Agasalha-me à sombra do teu corpo.
Aninha-me entre teus seios,
Aquece-me no calor do teu ventre:
Coisa ínfima, quero ficar perto de ti
como um pássaro que fugiu da tempestade.
Eu sou uma moeda que Deus deixou rolar no chão.

Neste poema, os verbos agasalhar, aninhar, aquecer, ficar (perto), fugir (da tempestade), revelam o desejo de fusão. Corpo, ventre e seios são imagens que se agregam aos verbos referidos, para expressar o desejo de superar a vivência da separação. O poema mescla misticismo e sensualismo, sugerindo a fusão a outro corpo, na forma que o ÁTOMO se agrega, constituindo a matéria (Ana Maria Lisboa de Mello em POESIA E IMAGINÁRIO).

domingo, 4 de outubro de 2009

MURILO MENDES - O FILHO DO SÉCULO



Clique sobre a imagem para ampliá-la (foto ney)
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Nunca mais andarei de bicicleta
Nem conversarei no portão
Com meninas de cabelos cacheados
Adeus valsa "Danúbio Azul"
Adeus tardes preguiçosas
Adeus cheiros do mundo sambas
Adeus puro amor
Atirei ao fogo a medalhinha da Virgem
Não tenho forças para gritar um grande grito
Cairei no chão do século vinte
Aguardem-me lá fora
As multidões famintas justiceiras
Sujeitos com gases venenosos
É a hora das barricadas
É a hora da fuzilamento, da raiva maior
Os vivos pedem vingança
Os mortos minerais vegetais pedem vingança
É a hora do protesto geral
É a hora dos vôos destruidores
É a hora das barricadas, dos fuzilamentos
Fomes desejos ânsias sonhos perdidos,
Misérias de todos os países uni-vos
Fogem a galope os anjos-aviões
Carregando o cálice da esperança
Tempo espaço firmes porque me abandonastes.

Murilo Monteiro Mendes fez seus primeiros estudos em Juiz de Fora e depois, no Colégio Salesiano de Niterói. Escritor fértil, obra abundante... veja em http://educacao.uol.com.br/biografias/ult1789u611.jhtm

RESSACA EM NITERÓI - 01/10/09
















Clique sobre as imagens para ampliá-las (fotos ney).

A grandeza da criação e a beleza da natureza bem a nossa volta. E tudo de graça, bastando SER, ao invés de TER, e nem ao menos estamos sabendo cuidar. (ney)