
sexta-feira, 8 de maio de 2009
FERNÃO

Clique sobre a imagem para ampliá-la (foto ney).
Praia de Geribá - Búzios-RJ.
FERNÃO:
"Fernão Gaivota, disse o Mais Velho - é chamado ao centro por vergonha aos olhos das gaivotas suas semelhantes! -...pela sua irresponsabilidade - entoava a voz solene - por violar a dignidade e a tradição da família das gaivotas...
Irresponsabilidade? Meus irmãos! Quem é mais responsável do que uma gaivota que descobre e desenvolve um significado, um propósito mais elevado na vida? Se todos nós formos alienados seguindo os Mais Velhos, sob uma capa de 'conhecimento acadêmico' limitadíssimo e fragmentado pela própria limitação da mente o mundo desconheceria a intuição e a emotividade. Dêem-me uma oportunidade, deixem-me mostrar-lhes o que descobri. Essa atitude cética de ver a vida não consegue dar uma perspectiva mais clara do mundo humano e não consegue porque usam sua rotina prática para distrair-se, para restringir a vida apenas às suas condições práticas. E fazem isso para evitar a lembrança de como se sentem inseguras em relação ao motivo de estarmos vivos e o que está por trás da vida biológica neste planeta. Por que estamos aqui na verdade?"
Fernão Capelo Gaivota era diferente da maioria das gaivotas de seu bando, que só pensava em lutar por comida, junto aos barcos de pesca. Ele amava voar. Passava dias inteiros sozinho no mar, treinando vôos rasantes em alta velocidade, para aflição de seus pais e desaprovação de todos. Em vão tentou fazer-lhes a vontade e agir como os outros. Seu único interesse era aprender mais e mais sobre a arte de voar.
Vezes sem conta vezes se desequilibrou, caindo violentamente na água.
Depois de uma queda que quase lhe custou a vida, ia desistir, mas, repentinamente, descobriu um modo de controlar sua velocidade. Levantou vôo, e sem pensar em morte ou fracasso, conseguiu atingir a marca estonteante de trezentos e vinte quilômetros por hora, inimaginável para qualquer outra gaivota viva. Sua alegria foi enorme. Radiante, pensou: “As gaivotas podem ser livres, podem procurar seus peixes no mar, em vez de ficarem ao redor dos barcos de pesca, guerreando por migalhas.”
http://www.youtube.com/watch?v=veDtCRBlCII
quinta-feira, 7 de maio de 2009
O AMOR
Joshua Cooke
Vós, que sofreis, porque amais, amai ainda mais. Morrer de amor é viver dele.
Victor Hugo
E que a minha loucura seja perdoada. Porque metade de mim é amor e a outra metade... também.
Osvaldo Montenegro
Porque eu fazia do amor um cálculo matemático errado: pensava que, somando as compreensões, eu amava. Não sabia que, somando as incompreensões é que se ama verdadeiramente. Porque eu, só por ter tido carinho, pensei que amar é fácil.
Clarice Lispector
A cada dia que vivo, mais me convenço de que o desperdício da vida está no amor que não damos, nas forças que não usamos, na prudência egoísta que nada arrisca e que, esquivando-nos do sofrimento, perdemos também a felicidade.
Carlos Drummond de Andrade
Aprendi que não posso exigir o amor de ninguém, posso apenas dar boas razões para que gostem de mim e ter paciência para que a vida faça o resto.
Shakespeare
MARIA LUCIA E NEY

CONTINUAM OS DIAS AZUIS



http://www.youtube.com/watch?v=uPGb-eWZKGM
OBSCURA CLARIDADE

Clique na imagem para ampliá-la (foto ney)
Ontem, ao clicar as belas imagens de uma tarde azul de outono (maio), postagem anterior, a câmera na direção da luz do sol acabou por criar essa OBSCURA CLARIDADE. Havia uma intensa luz refletida na espuma branca das ondas, então o automático fechou a entrada tornando possível captá-la de uma outra forma que não perdesse o brilho. Por coincidência, levou-me a refletir sobre um texto que acabara de ler.
Obscura claridade é também um oximoro (oxímoro), uma figura de linguagem que harmoniza dois conceitos opostos numa só expressão, formando assim um terceiro conceito que dependerá da interpretação do leitor.
Dado que o sentido literal de um oximoro (por exemplo, um instante eterno) é absurdo, força-se ao leitor a procurar um sentido metafórico (neste caso: um instante que, pela intensidade do vivido durante o mesmo, faz perder o sentido do tempo). O recurso a esta figura retórica é muito frequente na poesia mística e na poesia amorosa, por considerar-se que a experiência de Deus ou do amor transcende todas as antinomias mundanas (Wikipédia).
Luciana Brandão Carreira Del Nero em seu trabalho entregue a AUPPF (http://74.125.47.132/search?q=cache:hjbPBpfBns8J:www.fundamentalpsychopathology.org/8_cong_anais/TR_455.pdf+Obscura+claridade&cd=1&hl=pt-BR&ct=clnk&gl=br diz o seguinte, resumindo:
Alguns textos literários situam-se no litoral do saber: nestes, o sentido fica subentendido, oculto no recôndito da narrativa, apenas depreensível... A superfície porosa de um papel em branco ganha letras e um pequeno milagre acontece: o silêncio da branca página é interrompido, perfurado pelo gotejar da tinta que pinta, desenha e deseja um texto. O que antes era mudo, muda, ganhando voz e forma. Algumas dessas vozes são, no entanto, sopradas da beirada do abismo: emitem murmúrios, esquivam-se do sentido, têm a consistência de um suspiro. Suas formas são imprecisas, dão-se a ver apenas ao serem tocadas".
Clarice Lispector também manteve uma relação com a palavra que não a reduzia ao seu significado, fincando “a palavra no vazio descampado: é uma palavra como fino bloco monolítico que projeta sombra”; referia-se a sua escrita como uma “(...) convulsão de linguagem. Transmito-te não uma história, mas apenas palavras que vivem do som (...) Não sei sobre o que estou escrevendo: sou obscura para mim mesma” (LISPECTOR, C., 1998).
Talvez um pouco deste contexto esteja neste poema de NERUDA:
Gosto quando te calas, porque ficas como ausente, e me ouves desde longe, e minha voz não te alcança. Parece que teus olhos tivessem voado e parece que um beijo, te cerrasse a boca... como todas as coisas estão cheias de minha alma...emerges tu das coisas, cheia que minha alma própria alma. Borboleta de sonhos, és como minha alma e pareces com a palavra melancolia. Gosto quando calas porque ficas como ausente, estás como se lamentando, borboleta que sussuras me olhas de longe e minha voz não te alcança. Deixa que me cale com teu silêncio, iluminado como uma aliança, simples como uma aliança. Ès como a noite quieta e estrelada, teu silêncio é como uma estrela, tão distante e singela. Gosto quando calas porque ficas como ausente, distante e dolorida como se tivesse morrido. Uma palavra então, um sorriso basta, e já fico feliz, feliz com aquilo que não é certo. Pablo Neruda
quarta-feira, 6 de maio de 2009
E FOI MAIS UM BELO DIA AZUL...








