segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009

SEGUNDA-FEIRA






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Um dia bem azul que o verão estava devendo, tinha até lua no céu da manhã, uma volta de bicicleta no parque, na orla, e a mania de fotografia.

domingo, 15 de fevereiro de 2009

INEXORÁVEL TEMPO...
























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Ah, deixa eu apresentar... esse é o neyniterói, por incrível que pareça. Qualquer semelhança com o atual não é mera coincidência, você deve estar precisando usar óculos. O GUMEX foi o pai do atual GEL, que não engordurava o cabelo como a brilhantina, segurava o topete de modo que a gente podia até correr e jogar bola, ele não desmanchava. A propaganda dizia: "Dura Lex Sed Lex, no cabelo só Gumex" - Dura a Lei, que se faça a Lei. Conta a história que foi o Ari Barroso (Aquarela do Brasil), narrando um jogo que disse essa frase, pois o produto não tinha um slogan. Mas em 1953 sua propaganda era estampada nos bondes, e gumex era um sucesso. Por isso se vê nos filmes dos ANOS DOURADOS todo mundo penteado. Se eu soubesse teria passado gumex no corpo todo, ou teria sido uma fotografia (rs). Mas está bom assim, estou vivo.
Essas fotos eram tiradas no colégio, depois o fotógrafo levava em casa dizendo que éramos ótimos alunos, e precisávamos ler mais e mais, e já queria vender uma enciclopédia para os pais. O "levar vantagem" começou cedo, não é de agora, só que perdeu a ética. Mas era tanta cara de pau (será que tem hífen?), que colocavam a gente escrevendo num livro (repare na foto).
Bem, mas o Alberto Caeiro (Fernando Pessoa) - diz nesse texto a seguir que sempre foi o mesmo:
Nem sempre sou igual no que digo e escrevo. Mudo, mas não mudo muito. A cor das flores não é a mesma ao sol, de que quando uma nuvem passa, ou quando entra a noite, e as flores são cor da sombra. Mas quem olha bem vê que são as mesmas flores. Por isso quando pareço não concordar comigo, reparem bem para mim: Se estava virado para a direita, Voltei-me agora para a esquerda, mas sou sempre eu, assente sobre os mesmos pés... o mesmo sempre, graças ao céu e à terra, e aos meus olhos e ouvidos atentos, e à minha clara simplicidade de alma... (Alberto Caeiro).

PÔR-DO-SOL (com acento e hífen)




















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Baía da Guanabara vista da estrada Niterói/Manilha.

Um pôr-do-sol teimoso com acento e hífen, numa reforma que aumenta as exceções... ficam a mudar os móveis de lugar e não mudam nada que melhore a educação, não investem; criam cotas que discriminam, porque não querem criar oportunidades para todos. E se a escola educa, a TV aliena e dissemina a violência, nas novelas os bandidos são mocinhos, todos tramam contra todos e morrem no final em cenas com efeitos especiais. Ah, mas ainda existem boas famílias e casas que acolhem ao invés de expulsar um por um, até ficar um "herói" vencedor ($$$). Infelizmente, os verdadeiros lares e famílias não têm audiência na mídia sensacionalista; a essência está bem esquecida, não precisa conteúdo, vale a celebridade.
Então vou deixar o pôr-do-sol do jeito antigo, inclusive com hífen que termina com "n" (rs). Mas vai o sol se pondo no horizonte e criando belas luzes e contornos nas nuvens, reflexos no mar, silhuetas nos barcos; uma gaivota bem distante dá o seu último vôo solitário. Aparecem as primeiras estrelas ainda tímidas. Só falta ser uma noite de lua cheia e tornar tudo ainda mais belo e romântico. O vento chega mais suave numa refrescante brisa do mar, as ondas se acalmam para deixar que o espelho d'água crie belos reflexos. Resiste bravamente a natureza aos nossos estragos. (ney).

sábado, 14 de fevereiro de 2009

DOMINGO

Os domingos precisam de feriados

Rabino Nilton Bonder

Toda sexta-feira à noite começa o shabat para a tradição judaica. Shabat é o conceito que propõe descanso ao final do ciclo semanal de produção, inspirado no descanso divino, no sétimo dia da Criação.
Muito além de uma proposta trabalhista, entendemos a pausa como fundamental para a saúde de tudo o que é vivo. A noite é pausa, o inverno é pausa, mesmo a morte é pausa. Onde não há pausa, a vida lentamente se extingue. Para um mundo no qual funcionar 24 horas por dia parece não ser suficiente, onde o meio ambiente e a terra imploram por uma folga, onde nós mesmos não suportamos mais a falta de tempo, descansar se torna uma necessidade do planeta.
Hoje, o tempo de 'pausa' é preenchido por diversão e alienação. Lazer não é feito de descanso, mas de ocupações 'para não nos ocuparmos'. A própria palavra entretenimento indica o desejo de não parar. E a incapacidade de parar é uma forma de depressão. O mundo está deprimido e a indústria do entretenimento cresce nessas condições.
Nossas cidades se parecem cada vez mais com a Disneylândia. Longas filas para aproveitar experiências pouco interativas. Fim de dia com gosto de vazio. Um divertido que não é nem bom nem ruim. Dia pronto para ser esquecido, não fossem as fotos e a memória de uma expectativa frustrada que ninguém revela para não dar o gostinho ao próximo.
Entramos no milênio num mundo que é um grande shopping. A Internet e a televisão não dormem. Não há mais insônia solitária; solitário é quem dorme. As bolsas do Ocidente e do Oriente se revezam fazendo do ganhar e perder, das informações e dos rumores, atividade incessante. A CNN inventou um tempo linear que só pode parar no fim.
Mas as paradas estão por toda a caminhada e por todo o processo. Sem acostamento, a vida parece fluir mais rápida e eficiente, mas ao custo fóbico de uma paisagem que passa. O futuro é tão rápido que se confunde com o presente. As montanhas estão com olheiras, os rios precisam de um bom banho, as cidades de uma cochilada, o mar de umas férias, o domingo de um feriado…
Nossos namorados querem 'ficar', trocando o 'ser' pelo 'estar'. Saímos da escravidão do século XIX para o leasing do século XXI - um dia seremos nossos? Quem tem tempo não é sério, quem não tem tempo é importante. Nunca fizemos tanto e realizamos tão pouco. Nunca tantos fizeram tanto por tão poucos…
Parar não é interromper. Muitas vezes continuar é que é uma interrupção. O dia de não trabalhar não é o dia de se distrair - literalmente, ficar desatento. É um dia de atenção, de ser atencioso consigo e com sua vida. A pergunta que as pessoas se fazem no descanso é 'o que vamos fazer hoje?' - já marcada pela ansiedade. E sonhamos com uma longevidade de 120 anos, quando não sabemos o que fazer numa tarde de Domingo.
Quem ganha tempo, por definição, perde. Quem mata tempo, fere-se mortalmente. É este o grande 'radical livre' que envelhece nossa alegria - o sonho de fazer do tempo uma mercadoria. Em tempos de novo milênio, vamos resgatar coisas que são milenares. A pausa é que traz a surpresa e não o que vem depois. A pausa é que dá sentido à caminhada. A prática espiritual deste milênio será viver as pausas. Não haverá maior sábio do que aquele que souber quando algo terminou e quando algo vai começar.
Afinal, por que o Criador descansou? Talvez porque, mais difícil do que iniciar um processo do nada, seja dá-lo como concluído.

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2009

OS OMBROS SUPORTAM O MUNDO





Chega um tempo em que não se diz mais: meu Deus. Tempo de absoluta depuração. Tempo em que não se diz mais: meu amor. Porque o amor resultou inútil. E os olhos não choram. E as mãos tecem apenas o rude trabalho. E o coração está seco. Em vão mulheres batem à porta, não abrirás. Ficaste sozinho, a luz apagou-se, mas na sombra teus olhos resplandecem enormes. És todo certeza, já não sabes sofrer. E nada esperas de teus amigos. Pouco importa venha a velhice, que é a velhice? Teus ombros suportam o mundo e ele não pesa mais que a mão de uma criança. As guerras, as fomes, as discussões dentro dos edifícios provam apenas que a vida prossegue e nem todos se libertaram ainda. Alguns, achando bárbaro o espetáculo prefeririam (os delicados) morrer. Chegou um tempo em que não adianta morrer. Chegou um tempo que a vida é uma ordem. A vida apenas, sem mistificação. (Carlos Drummond de Andrade),
http://www.youtube.com/watch?v=Xox8ysHXGkM

CASA Nº 34



















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Passa o tempo
Ela resiste à ausência
Ao distanciamento
De quem foi abrigo
Teto e moradia.

Abandonada
Sobrevive às intempéries
Ruína de histórias e sonhos
Ícone de memórias
Dá vida e beleza à fotografia. (ney)

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009

SOBRADOS E CASAS ANTIGAS






Clique sobre as imagens para ampliá-las (fotos ney) - Boa Viagem - Niterói.
Gosto de fotografar essas residências antigas, pelo tempo parecem contar tantas histórias... seus muros, portas e janelas guardam segredos, amores, encontros e desencontros, e seus jardins floridos dão um toque de beleza e harmonia. (ney).
Se você abre uma porta, você pode ou não entrar em uma nova sala. Você pode não entrar e ficar observando a vida. Mas se você vence a dúvida, o temor, e entra, dá um grande passo: nesta sala vive-se ! Mas, também, tem um preço... São inúmeras outras portas que você descobre. Às vezes curte-se mil e uma. O grande segredo é saber quando e qual porta deve ser aberta. A vida não é rigorosa, ela propicia erros e acertos. Os erros podem ser transformados em acertos quando com eles se aprende. Não existe a segurança do acerto eterno. A vida é generosa, a cada sala que se vive, descobre-se tantas outras portas. E a vida enriquece quem se arrisca a abrir novas portas. Ela privilegia quem descobre seus segredos e generosamente oferece afortunadas portas. Mas a vida também pode ser dura e severa. Se você não ultrapassar a porta, terá sempre a mesma porta pela frente. É a repetição perante a criação, é a monotonia monocromática perante a multiplicidade das cores, é a estagnação da vida... Para a vida, as portas não são obstáculos, mas diferentes passagens!Içami Tiba.
Quando abro a cada manhã a janela do meu quarto, é como se abrisse o mesmo livro numa página nova...Mário Quintana.
O amor é grande e cabe nesta janela sobre o mar. O mar é grande e cabe na cama e no colchão de amar. O amor é grande e cabe no breve espaço de beijar. Carlos Drummond de Andrade.