Cintilações
Talvez não existam amores felizes. Mas, as ilhas mágicas, que sonhámos, serão sempre perfeitas na sua imaterialidade. E nelas contemplaremos fragmentos de uma Atlântida por cumprir, de uma Avalon revelando-se apenas aos amantes temerários, de uma Arcádia onde os pastores absorvem a paz, de um Éden, que foi de todos, e que aguarda o resgate de todas as inocências.
Sentiremos as reverberações do sol sobre o mar em cada manhã e respiraremos a luz da tarde em grandes golfadas e dançaremos em sintonia com a lua, as marés, o vento e os bichos.
E escutaremos as nossas gargalhadas luminosas, entre momices e travessuras, e rodopiaremos nas asas de uma borboleta que sabemos ser um anjo e falaremos com todas as aves.
Até chegarem os dias em que guardamos nos olhos fechados o brilho, que criámos, e escondemos na alma os encantos, que recebemos.
É então que decidimos, por algum tempo, esquecer as cintilações mágicas. Porque tememos perder-nos.
Mais tarde, partiremos de novo para as nossas ilhas.
Alba/Portugal. Do blog a clareira.
Ah, deveras um lindo texto caminhando com sensatez e amadurecimento entre os sonhos e a realidade, deixando fluir a vida com equilíbrio e encantamento. (ney).
sexta-feira, 30 de janeiro de 2009
A CHUVA CHEGANDO...
quinta-feira, 29 de janeiro de 2009
FOTOGRAFIA


Clique sobre as imagens para ampliá-las (fotos ney).
Fotografia (Tom Jobim)
Eu, você, nós dois... Aqui neste terraço à beira-mar, o sol já vai caindo e o seu olhar, parece acompanhar a cor do mar, você tem que ir embora, a tarde cai, em cores se desfaz, escureceu, o sol caiu no mar, e aquela luz, lá em baixo se acendeu...Você e eu.
Eu, você, nós dois, sozinhos neste bar, à meia-luz, e uma grande lua saiu do mar, parece que este bar já vai fechar, e há sempre uma canção, para contar, aquela velha história, de um desejo, que todas as canções, têm pra contar, e veio aquele beijo.
quarta-feira, 28 de janeiro de 2009
FOTOGRAFIAS






Se as imagens me sensibilizam, faço delas uma fotografia, registrando vistas, ações, realidades. Às vezes, tento contar uma história do que me dizem, fazer uma poesia, dar um significado, mas o olhar do outro poderá interpretá-la de outra forma, então a imagem por si só pode fluir mais livremente no imaginário de cada um, ser mais abrangente que qualquer texto.
segunda-feira, 26 de janeiro de 2009
SOBRE CINTILAÇÕES...

ao poeta Paulo Andress
Poetas fazem aniversário, mas não têm idade. Celebra-se a data em que surgiram, porque celebrar o extraordinário devolve aos dias aparentemente simples, supostamente repetitivos, a memória de sua força de inventar, por descuido esquecida.
Poetas surgem. Um dia surgem e sabe-se, então: a vida não se bastou, a vida quis em si mesma ousar fazer (de novo) o nunca antes feito. Quando a vida fica triste, quando a vida fica exausta do que tem, do que é e quer mais, gesta poetas e garante, neles, seu indispensável excesso, sua necessária exceção.
Poetas surgem. Um dia surgem imersos num mar de palavras desordenadas, inundados pelas águas do tudo saber sem nada saber, perturbados pela visão dos vinte mundos ali, onde o mapa assinala apenas um lugarejo.
Poetas surgem. Um dia surgem. Conhecem nada de si, de sua destinação, de sua tarefa. Chegam sempre antes de ver, vêem sempre antes de chegar e espalham sentidos nos signos como quem marca a própria trajetória num labirinto que nega ter saídas.
Mas poetas fazem aniversário, embora não tenham idade. E nestas celebrações, a cada celebração disso, que neles foi surgimento, descobrem a profundidade escondida nos seus vôos, porque o céu é tão-somente um abismo invertido.
E nestas celebrações, a cada celebração disso, que neles foi surgimento, adivinham a eternidade escondida nas suas datas, porque o tempo é tão-somente um brinquedo de conjugar verbos.
Por isso poetas não têm idade: poetas não nascem, poetas não morrem. Poetas são cintilações. Surgem. Brilham. Iluminam. E estão fadados, mesmo não querendo, a permanecer para sempre
nos mundos todos que desvelaram, produziram, testemunhando aos incrédulos que – sim! – o infinito existe e mora neles, poetas.
E os poetas, onde moram? Eles moram, com a vida, no absoluto.
Texto em http://www.informarte.net/entrelinhas/57_cintila.htm
A NAMORADA NO PORTÃO

Imagens e momentos que cintilam no tempo.
Ela me esperava no portão
De longe eu via seu sorriso
Que me enchia de alegria
Beijos e abraços
Doces palavras, carinhos
Brilho no olhar
Sair a passear
Mãos dadas, felizes
Sem rumo, sem pressa
Ir ao cinema
Tomar um sorvete
Na pracinha namorar
Amar e ser amado
Sentir em cada momento
A vida do tamanho do mundo. (ney)
sábado, 24 de janeiro de 2009
OLÁ !

Pois é... aqui estou eu virtualmente, digo, nós, com nossas imagens de tela. Não a tela de pintura, velha conhecida nossa, que sempre foi uma forma de arte, de se perpetuar a imagem e contar a história de nossa existência humana, em quadros na parede da sala, dos gabinetes, museus, com ricas molduras, inclusive o auto-retrato.
Com a fotografia, nossas imagens se eternizaram nos álbuns de família, em fotos presas por lindas cantoneiras, e protegidos por papéis tipo vegetal que nos garantia a vida, a cor, só ficando ligeiramente amareladas, tipo sépia, mas até charmosas, dando idéia de tempo, experiência de vida, altivez. Podia acontecer uma umidade, um cheirinho de mofo, principalmente se ficassem lá esquecidas por muito tempo. Bastava um ambiente arejado e logo voltavam ao normal, passando de mão em mão, através de gerações, relembrando histórias de vida.
Mas agora os tempos são outros, nas telas dos monitores somos imagens digitais nítidas, cheias de brilho, cores. E vivos ou mortos, nossos movimentos e falas são preservados pelos vídeos.
Dizem-nos “virtuais”, porque somos um pouco eletricidade, eletrônica, teclado, mouse, sistemas, mas na verdade nossas palavras tecladas expressam sentimentos reais, tanto quanto seriam nos livros, nas cartas, telegramas, ou mesmo quando ditas no real, olhos nos olhos, certo?
E digo mais, comparando com as cartas, somos até mais reais, porque “on line”, falamos o que estamos pensando naquele momento, e as cartas quando chegavam já poderiam não corresponder aos sentimentos nelas expressos. Mas de qualquer forma, eram também bem-vindas, ficavam em nossas memórias, em caixas nos armários, poderiam ser lidas e relidas, e muitas guardavam mesmo seus perfumes.
Então, o que vale mesmo são os bons sentimentos, as verdades, as trocas de idéias, as prosas, amores e paixões, sonhos e realidades, o interagir com o universo a nossa volta. (ney).
Com a fotografia, nossas imagens se eternizaram nos álbuns de família, em fotos presas por lindas cantoneiras, e protegidos por papéis tipo vegetal que nos garantia a vida, a cor, só ficando ligeiramente amareladas, tipo sépia, mas até charmosas, dando idéia de tempo, experiência de vida, altivez. Podia acontecer uma umidade, um cheirinho de mofo, principalmente se ficassem lá esquecidas por muito tempo. Bastava um ambiente arejado e logo voltavam ao normal, passando de mão em mão, através de gerações, relembrando histórias de vida.
Mas agora os tempos são outros, nas telas dos monitores somos imagens digitais nítidas, cheias de brilho, cores. E vivos ou mortos, nossos movimentos e falas são preservados pelos vídeos.
Dizem-nos “virtuais”, porque somos um pouco eletricidade, eletrônica, teclado, mouse, sistemas, mas na verdade nossas palavras tecladas expressam sentimentos reais, tanto quanto seriam nos livros, nas cartas, telegramas, ou mesmo quando ditas no real, olhos nos olhos, certo?
E digo mais, comparando com as cartas, somos até mais reais, porque “on line”, falamos o que estamos pensando naquele momento, e as cartas quando chegavam já poderiam não corresponder aos sentimentos nelas expressos. Mas de qualquer forma, eram também bem-vindas, ficavam em nossas memórias, em caixas nos armários, poderiam ser lidas e relidas, e muitas guardavam mesmo seus perfumes.
Então, o que vale mesmo são os bons sentimentos, as verdades, as trocas de idéias, as prosas, amores e paixões, sonhos e realidades, o interagir com o universo a nossa volta. (ney).
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