domingo, 16 de novembro de 2008

O MISTÉRIO DAS COUSAS - Fernando Pessoa

O Mistério das Cousas - Alberto Caeiro (Fernando Pessoa)

Há Metafísica bastante em não pensar em nada. O que penso eu do mundo? Sei lá o que penso do mundo! Se eu adoecesse pensaria nisso. Que idéia tenho eu das cousas? Que opinião tenho sobre as causas e os efeitos? Que tenho eu meditado sobre Deus e a alma E sobre a criação do Mundo? Não sei. Para mim pensar nisso é fechar os olhos E não pensar. É correr as cortinas Da minha janela (mas ela não tem cortinas). O mistério das cousas? Sei lá o que é mistério! O único mistério é haver quem pense no mistério. Quem está ao sol e fecha os olhos, Começa a não saber o que é o sol E a pensar muitas cousas cheias de calor. Mas abre os olhos e vê o sol, E já não pode pensar em nada, Porque a luz do sol vale mais que os pensamentos De todos os filósofos e de todos os poetas. A luz do sol não sabe o que faz E por isso não erra e é comum e boa. Metafísica? Que metafísica têm aquelas árvores? A de serem verdes e copadas e de terem ramos E a de dar fruto na sua hora, o que não nos faz pensar, A nós, que não sabemos dar por elas. Mas que melhor metafísica que a delas, Que é a de não saber para que vivem Nem saber o que não sabem? "Constituição íntima das cousas"... "Sentido íntimo do Universo" ... Tudo isto é falso, tudo isto não quer dizer nada. É incrível que se possa pensar em cousas dessas, É como pensar em razões e fins Quando o começo da manhã está raiando, e pelos lados das árvores Um vago ouro lustroso vai perdendo a escuridão. Pensar no sentido íntimo das cousas É acrescentado, como pensar na saúde Ou levar um copo à água das fontes. O único sentido íntimo das cousas É elas não terem sentido íntimo nenhum. Não acredito em Deus porque nunca o vi. Se ele quisesse que eu acreditasse nele, Sem dúvida que viria falar comigo E entraria pela minha porta dentro Dizendo-me, Aqui estou! (Isto é talvez ridículo aos ouvidos De que, por não saber o que é olhar para as cousas, Não compreende quem fala delas Com o modo de falar que reparar para elas ensina.) Mas se Deus é as flores e as árvores E os montes e sol e o luar, Então acredito nele, Então acredito nele a toda a hora, E a minha vida é toda uma oração e uma missa, E uma comunhão com os olhos e pelos ouvidos. Mas se Deus é as árvores e as flores E os montes e o luar e o sol, Para que lhe chamo eu Deus? Chamo-lhe flores e árvores e montes e sol e luar; Porque, se ele se fez, para eu o ver, Sol e luar e flores e árvores e montes, Se ele me aparece como sendo árvores e montes E luar e sol e flores, É que ele quer que eu o conheça Como árvores e montes e flores e luar e sol. E por isso eu obedeço-lhe, (Que mais sei eu de Deus que Deus de si próprio?), Obedeço-lhe a viver, espontaneamente, Como quem abre os olhos e vê, E chamo-lhe luar e sol e flores e árvores e montes, E amo-o sem pensar nele, E penso-o vendo e ouvindo, E ando com ele a toda a hora.

CASARÕES - O RETORNO












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E falei tanto de casarões que fui hoje no SOLAR DO JAMBEIRO... http://www.solardojambeiro.com.br/



sábado, 15 de novembro de 2008

PASSEIO PELA ORLA NO PÔR-DO-SOL
















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Em nova caminhada pela orla de Icarai e São Francisco (Niterói), fotografei esse belo pôr-do-sol. E numa delas o Cristo do Corcovado aparece sobre as nuvens que sempre ficam retidas pelas montanhas.
"... É só porque sinto o que escrevo ao pôr do sol,
Ou quando uma nuvem passa a mão por cima da luz..." (Fernando Pessoa).

AINDA SOBRE CASARÕES II




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E falando de casarões nas últimas postagens, aproveitei minha caminhada de hoje cedo pela Boa Viagem (orla de Niterói), e fotografei dois deles, que estão nessas fotos. E são muitos outros, mas o mais conhecido de todos e o SOLAR DO JAMBEIRO, que vale a pena dar uma olhadinha no endereço que segue - http://www.solardojambeiro.com.br/
No Solar do Jambeiro já assisti muitos eventos de música, teatro, pinturas, e houve um tempo que era servido café com broa de milho, e criava-se um ambiente bem dos velhos tempos dos casarões, como se fazem também nas velhas fazendas de café do Vale do Paraíba.
"Ai, como morrem as casas!
Como se deixam morrer!
E descascadas e secas,
Ei-las sumindo-se no ar." (Carlos Drummond Andrade).

sexta-feira, 14 de novembro de 2008

AINDA SOBRE O CASARÃO - A BELA VISTA A SUA FRENTE














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As praias de Charitas e São Francisco (Niterói), que ficam bem a frente desse casarão... e fui apreciar o fim de tarde e não podia deixar de fotografar.
E vai aqui um dos endereços do Casarão de Charitas, onde cheguei a frequentar bailes ainda na adolescência... http://www.cdp-fan.niteroi.rj.gov.br/patrimonio/CASEMCHA.htm

BANQUINHO MÁGICO...


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Está vendo essa estradinha de terra? Muito bonita, não acha? Siga por ela, e quando chegar ali na frente, entre à esquerda e senta naquele banquinho, na sombra daquela frondosa árvore, vai ver que gostoso que é. Ali sopra uma agradável brisa, e você vai poder descansar desse longo caminhar e desse sol que está muito quente.
Ah, e tem mais... é um silêncio que só se ouve o canto dos pássaros e o correr das águas de um riacho próximo. Bom de ficar pensando na vida... deixar o tempo passar.
Olha! E tem uma coisa nesse lugar que nem sei direito explicar. É assim uma energia, ou magia... Sei lá! E a noitinha, céu estrelado e luar, ai que se percebe melhor, ouço até música, acredita? Acho que é BLUE MOON.
Faz o seguinte, se puder e quiser: Lá pelas 8 horas da noite eu já estou ali no banquinho, então explico direitinho. E vou falar baixinho, porque é segredo, senão todo mundo vai saber e vai acabar o encanto do lugar. Mas na verdade nem é segredo, é mais um se deixar ouvir e sentir.
Ah, se você também ouvir a música, podemos até dançar, não é? Eu aqui comigo já viajei no tempo e vi você num lindo vestido de baile. No banquinho mágico o tempo não envelhece... passado e presente vivem sua real eternidade.
Lembrei de um texto do Rubem Alves: "... A vida inteira é um esforço para nos lembrar... Vez por outra ganhamos o beijo: vemos uma coisa bela e ficamos encantados. Por vezes, apaixonados. Isso quer dizer que fomos tocados por aquela beleza esquecida que um dia nós vimos. Fernando Pessoa pensava assim também. Aquela sua declaração de amor: “Quando te vi amei-te já muito antes, tornei a encontra-te quando te achei...” Então, a amada já estava dentro da sua alma, à espera... O encontro foi, na realidade, um re-encontro. Essa coisa bela que nos encanta, entretanto, não é a beleza pura que existe naquele reino espiritual. É apenas o seu breve cintilar, seu reflexo nas águas do tempo. O mundo está cheio de cintilações da eternidade. "
Autor: Eu no banquinho.

A TERRA VISTA DA LUA


Imagine V. podendo observar a Terra a partir da Lua. Como pensar que este organismo vital, que gera e sustenta inúmeras formas de vida, não seja uma coisa só! Um gracioso planeta que abriga tantas e tantas espécies de seres inteligentes e criativos... como imaginar que nele existam separação, conflito, injustiça e infelicidade? Separação proporcionada por grupos de poder, governos, instituições religiosas e outros congêneres que não reconhecem a Unidade, o Amor, que discriminam e condenam a diversidade, esta esplêndida característica de cada habitante do planeta?Por que tanta dor, tanta incompreensão entre os escolhidos viajantes da nave? Não conseguem olhar para o céu estrelado e se inspirar na vibração de amor, de doação total, de abundância de tudo que Deus nos proporciona... não têm olhos ou coração para ver no outro um irmão de caminhada, um ser perfeito e completo? Se em nosso interior não tivéssemos a esperança, este precioso sentimento atuando vigorosamente feito um bálsamo sobre nossas cicatrizes e nossas feridas de Alma, não poderíamos, provavelmente, continuar a busca pelo Caminho da evolução, da verdade, da realização, que na maioria das vezes ocultam resultados concretos, palpáveis. Este universo infinito que nós percorremos numa incrível velocidade não foi criado somente para ser contemplado nas noites estreladas; encontra-se na base de um projeto maior que talvez nos escape em sua amplitude, mas que pacientemente espera que nossa civilização - como um todo - dê finalmente um grande salto qualitativo, um processo que muitos chamam de Ascensão, de mudança de plano. (ESPECIAL STUM - trecho).