segunda-feira, 22 de março de 2010

NAMORADEIRAS


Foto ney.
Tão bonitas as namoradeiras, com seus olhares românticos, perdidos e distantes, olhando a vida passar. Decoram, encantam, ocupam, às vezes, lugares de destaque em galerias, artistas famosos vendem peças caríssimas. Muito procuradas em Minas Gerais, Goiás, Vale do Jequitinhonha e outras regiões.
Alguns falam em possíveis preconceitos, como dizem que vendemos a imagem de país do samba e do futebol. Mas a arte está sempre acima desses entendimentos, e se expressa livremente. (ney)

domingo, 21 de março de 2010

LAGO MUDO




Fotos ney - Lagoa de Piratininga - Niterói-RJ (Brasil).
Lago Mudo (Fernando Pessoa)

Contemplo o lago mudo, que uma brisa estremece. Não sei se penso em tudo, ou se tudo me esquece. O lago nada me diz, não sinto a brisa mexê-lo, não sei se sou feliz, nem se desejo sê-lo. Trêmulos vincos risonhos, na água adormecida. Por que fiz eu dos sonhos, a minha única vida?

sábado, 20 de março de 2010

CASAS SIMPLES II


Ah, essa casa estava de porta e janelas fechadas na postagem anterior, então lembrei da música do Galvão e Moraes Moreira: “Abre a porta e a janela, e vem ver o sol nascer... Eu sou um pássaro que vivo avoando sem nunca mais parar.”
Que pena! As casas vivem fechadas e gradeadas, com alarmes e câmeras, até seguranças. Ninguém chega na janela, só fica vendo TV, pior que na telinha só tem violência e big bobagens. Crianças sem as ruas, moradores sem vizinhos, nem dá para conversar no portão. E olho vivo na hora de entrar e sair. Um jardim tão bonito e nem dá tempo de apreciar. (ney).

OUTONO


foto ney.
CANÇÃO DE OUTONO

Perdoa-me, folha seca, não posso cuidar de ti. Vim para amar neste mundo, e até do amor me perdi. De que serviu tecer flores pelas areias do chão, se havia gente dormindo sobre o próprio coração? E não pude levantá-la! Choro pelo que não fiz. E pela minha fraqueza é que sou triste e infeliz. Perdoa-me, folha seca! Meus olhos sem força estão velando e rogando áqueles que não se levantarão... Tu és a folha de outono voante pelo jardim. Deixo-te a minha saudade - a melhor parte de mim. Certa de que tudo é vão. Que tudo é menos que o vento, menos que as folhas do chão... Cecília Meireles

sexta-feira, 19 de março de 2010

OUTONO CHEGANDO (clique aqui)



foto ney - Lago Comary - Teresópolis-RJ. Começa amanhã o outono, sábado, 20 de março de 2010. Veja o vídeo no link acima (Título).

quinta-feira, 18 de março de 2010

CASAS SIMPLES




foto ney. Foi uma aventura e tanto esse longo caminhar, que explica um pouco esse blog miscelânea de assuntos, já que foram momentos diversos.
Tudo começou na Rua Paissandu das belas residências e palmeiras, onde passava o Presidente com seus batedores para o Palácio do Governo bem próximo. O Rio era Capital do Brasil, morávamos numa vila de casas bem antigas. Depois fomos para Nilópolis, na época subúrbio do Rio, o ir e vir nos trens da Rede Ferroviária Central do Brasil. “Casas simples com cadeiras na calçada, na fachada escrito em cima que era um lar...” (Gente Humilde – Chico Buarque).
Já em Niterói passamos dos trens para as barcas atravessando a Baía da Guanabara. Bons tempos das ruas, jogo de bola, pipas, anos dourados, bailes de formatura. Depois 1 ano de Exército, a faculdade de Economia, 5 anos em SAMPA, os filhos, netos, a aposentadoria. Desejo que ainda tenha chão. E vamos nós seguindo, amando, aprendendo, trocando, crescendo.

Existe muita magia e poesia nesses cotidianos, o som dos trens nos trilhos, das barcas apitando, as bandas tocando nos coretos das pracinhas, os namoros, encontros e desencontros, tudo isso vai ficando e refletindo nas águas do tempo, e nos dizendo em muitos momentos, compondo a música da vida. (ney)

quarta-feira, 17 de março de 2010

MINHA HISTÓRIA (clique aqui)









MINHA HISTÓRIA - Chico Buarque
(fotos ney)

Ele vinha sem muita conversa, sem muito explicar
Eu só sei que falava e cheirava e gostava de mar
Sei que tinha tatuagem no braço e dourado no dente
E minha mãe se entregou a esse homem perdidamente

Ele assim como veio partiu não se sabe pra onde
E deixou minha mãe com o olhar cada dia mais longe
Esperando, parada, pregada na pedra do porto
Com seu único velho vestido cada dia mais curto

Quando enfim eu nasci minha mãe embrulhou-me num manto
Me vestiu como se fosse assim uma espécie de santo
Mas por não se lembrar de acalantos, a pobre mulher
Me ninava cantando cantigas de cabaré

Minha mãe não tardou a lertar toda a vizinhança
A mostrar que ali estava bem mais que uma simples criança
E não sei bem se por ironia ou se por amor
Resolveu me chamar com o nome do Nosso Senhor

Minha história é esse nome que ainda hoje carrego comigo
Quando vou bar em bar, viro a mesa, berro, bebo e brigo
Os ladrões e as amantes, meus colegas de copo e de cruz
Me conhecem só pelo meu nome Menino Jesus