quarta-feira, 27 de maio de 2009

VITALIZAÇÃO



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Há uma irradiação larga e opulentíssima nos ares. Esbraseamento do sol do fim da tarde dá fortes verberações quentes à paisagem, que resplandece, e de cuja vegetação estuante de calor parecem rebentar as raízes túmidas de seiva, como veias imensas latejando de sangue oxigenado e vivo. Nessa elaboração enorme da Terra que procria e fecunda, na gestação desses mundos que, como astros, gravitam talvez em cada grão de areia, pululando e vibrando, a Natureza é como uma grande força animada e palpitante, dando entendimento e sentimento à Matéria e fazendo estacar a vida no profundo ocaso da Morte.
E, daí a pouco, a Lua, através das matas do vale, anelante e álgida, surgirá, rasgará d’alto as nuvens do céu, acordando os aromas adormecidos, cristalizada, vagarosa e tristemente, como uma dor que gelou… CRUZ E SOUZA.

terça-feira, 26 de maio de 2009

BELAS MONTANHAS






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E bastam alguns quilômetros estamos fora do trânsito intenso, do ruído das grandes cidades... Do nível do mar às altas montanhas, natureza exuberante, temperaturas amenas, frio mesmo, rios e cachoeiras de águas cristalinas, geladas, correndo pelas pedras, formando poços, gostosas para um mergulho sob o sol quente. No frio a fome aumenta, os restaurantes oferecem bons cardápios, ou boas e variadas opções de comida a peso, estruturas típicas de montanha (cabanas etc.), locais aconchegantes. Viva a natureza que resiste aos nossos estragos. ney/

segunda-feira, 25 de maio de 2009

ESCADAS DE CARACOL


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Escadas de caracol sempre são misteriosas: conturbam... Quando as desce, a gente se desparafusa... Quando a gente as sobe, se parafusa (...)
Pensa, pensa - o quanto antes! Naquelas pobres escadarias de madeira das casas pobres - escurinho dos teus primeiros aconchegos... Pensa em cascatas de risos, escada abaixo, de crianças deixando a escola... Pensa na escada do poema, que tu comigo vens descendo... Mario Quintana.

JANELA


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O amor é grande e cabe nesta janela sobre o mar. O mar é grande e cabe na cama e no colchão de amar. O amor é grande e cabe no breve espaço de beijar. Carlos Drummond de Andrade.

Entre muitas outras coisas, tu eras para mim uma janela através da qual podia ver as ruas. Sozinho não o podia fazer. Frans Kafka.

Quando abro a cada manhã a janela do meu quarto, é como se abrisse o mesmo livro numa página nova... Mário Quintana.

A gente não se liberta de um hábito atirando-o pela janela: é preciso fazê-lo descer a escada, degrau por degrau. Mark Twain.

Um livro e como uma janela. Quem não o lê, é como alguém que ficou distante da janela e só pode ver uma pequena parte da paisagem. Kahlil Gibran.

NA MONTANHA

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Serra dos Órgãos (Dedo de Deus) - Teresópolis-RJ.

DO MAR PARA A MONTANHA























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Passeio a Teresópolis/Friburgo (Dedo de Deus/Cachoeira dos Frades, Lago Comary etc.). Mais um belo dia azul.

domingo, 24 de maio de 2009

EU E MINHA SOMBRA



















Eu e minha sombra

Ah, minha fiel sombra, sempre junto de mim, uma longa convivência. Só mesmo na escuridão da noite é que não vejo você, fico imaginando se me acompanha no corpo adormecido ou se vai comigo nos meus sonhos. Mas como você não fala, não ouve e não vê, tanto faz se me segue ou não, vamos ser um pouco mistério.
Mas sei que se acender a luz, uma simples vela, você estará por lá, às vezes até disforme e assustadora. Aliás, lembro que quando criança, ficava de brincadeira com você formando figuras na parede.
Muito cedo ou à tardinha, você tem mania de aparecer enorme, comprida; no meio do dia você quase some, fica meio gordinha. Na beira de um penhasco chega tão na ponta que parece que caiu no abismo, mas quando recuo você está lá, contando comigo, se eu cair você já era; na praia vai logo mergulhando fundo, rente a areia, fica menor e depois some. E quanto mais forte o sol, mais escura você fica, eu é que me queimo todo.
Chega dessa prosa, quem me ver assim conversando com minha sombra vai pensar que sou maluco, nem tanto, mas é que andar junto tanto tempo sem conversar, ai mesmo que fica sombrio.
Tem horas que você fica para trás, penso até que sumiu, mas se olho você está me seguindo. Quero dizer que prefiro quando você anda na minha frente, porque quando está do meu lado reparo na minha barriga. Aliás, você bem que podia não ser tão dependente de mim, podia me dar uma chance e conduzir meus caminhos, às vezes, tão repetidos, pensados, repensados, sensatos, embora felizes.
Bem, vou descansar na sombra daquela árvore na beira do rio, ficar comigo mesmo, e você vai ter seu tempo livre.
Ao cair a noite, se surgir a lua cheia, e minha amada aparecer, volte correndo e fique bem juntinho da sombra dela na luz do luar.
(ney).