quinta-feira, 7 de maio de 2009
O AMOR
Joshua Cooke
Vós, que sofreis, porque amais, amai ainda mais. Morrer de amor é viver dele.
Victor Hugo
E que a minha loucura seja perdoada. Porque metade de mim é amor e a outra metade... também.
Osvaldo Montenegro
Porque eu fazia do amor um cálculo matemático errado: pensava que, somando as compreensões, eu amava. Não sabia que, somando as incompreensões é que se ama verdadeiramente. Porque eu, só por ter tido carinho, pensei que amar é fácil.
Clarice Lispector
A cada dia que vivo, mais me convenço de que o desperdício da vida está no amor que não damos, nas forças que não usamos, na prudência egoísta que nada arrisca e que, esquivando-nos do sofrimento, perdemos também a felicidade.
Carlos Drummond de Andrade
Aprendi que não posso exigir o amor de ninguém, posso apenas dar boas razões para que gostem de mim e ter paciência para que a vida faça o resto.
Shakespeare
MARIA LUCIA E NEY

CONTINUAM OS DIAS AZUIS



http://www.youtube.com/watch?v=uPGb-eWZKGM
OBSCURA CLARIDADE

Clique na imagem para ampliá-la (foto ney)
Ontem, ao clicar as belas imagens de uma tarde azul de outono (maio), postagem anterior, a câmera na direção da luz do sol acabou por criar essa OBSCURA CLARIDADE. Havia uma intensa luz refletida na espuma branca das ondas, então o automático fechou a entrada tornando possível captá-la de uma outra forma que não perdesse o brilho. Por coincidência, levou-me a refletir sobre um texto que acabara de ler.
Obscura claridade é também um oximoro (oxímoro), uma figura de linguagem que harmoniza dois conceitos opostos numa só expressão, formando assim um terceiro conceito que dependerá da interpretação do leitor.
Dado que o sentido literal de um oximoro (por exemplo, um instante eterno) é absurdo, força-se ao leitor a procurar um sentido metafórico (neste caso: um instante que, pela intensidade do vivido durante o mesmo, faz perder o sentido do tempo). O recurso a esta figura retórica é muito frequente na poesia mística e na poesia amorosa, por considerar-se que a experiência de Deus ou do amor transcende todas as antinomias mundanas (Wikipédia).
Luciana Brandão Carreira Del Nero em seu trabalho entregue a AUPPF (http://74.125.47.132/search?q=cache:hjbPBpfBns8J:www.fundamentalpsychopathology.org/8_cong_anais/TR_455.pdf+Obscura+claridade&cd=1&hl=pt-BR&ct=clnk&gl=br diz o seguinte, resumindo:
Alguns textos literários situam-se no litoral do saber: nestes, o sentido fica subentendido, oculto no recôndito da narrativa, apenas depreensível... A superfície porosa de um papel em branco ganha letras e um pequeno milagre acontece: o silêncio da branca página é interrompido, perfurado pelo gotejar da tinta que pinta, desenha e deseja um texto. O que antes era mudo, muda, ganhando voz e forma. Algumas dessas vozes são, no entanto, sopradas da beirada do abismo: emitem murmúrios, esquivam-se do sentido, têm a consistência de um suspiro. Suas formas são imprecisas, dão-se a ver apenas ao serem tocadas".
Clarice Lispector também manteve uma relação com a palavra que não a reduzia ao seu significado, fincando “a palavra no vazio descampado: é uma palavra como fino bloco monolítico que projeta sombra”; referia-se a sua escrita como uma “(...) convulsão de linguagem. Transmito-te não uma história, mas apenas palavras que vivem do som (...) Não sei sobre o que estou escrevendo: sou obscura para mim mesma” (LISPECTOR, C., 1998).
Talvez um pouco deste contexto esteja neste poema de NERUDA:
Gosto quando te calas, porque ficas como ausente, e me ouves desde longe, e minha voz não te alcança. Parece que teus olhos tivessem voado e parece que um beijo, te cerrasse a boca... como todas as coisas estão cheias de minha alma...emerges tu das coisas, cheia que minha alma própria alma. Borboleta de sonhos, és como minha alma e pareces com a palavra melancolia. Gosto quando calas porque ficas como ausente, estás como se lamentando, borboleta que sussuras me olhas de longe e minha voz não te alcança. Deixa que me cale com teu silêncio, iluminado como uma aliança, simples como uma aliança. Ès como a noite quieta e estrelada, teu silêncio é como uma estrela, tão distante e singela. Gosto quando calas porque ficas como ausente, distante e dolorida como se tivesse morrido. Uma palavra então, um sorriso basta, e já fico feliz, feliz com aquilo que não é certo. Pablo Neruda
quarta-feira, 6 de maio de 2009
E FOI MAIS UM BELO DIA AZUL...




terça-feira, 5 de maio de 2009
DA JANELA

Clique na imagem para ampliá-la (foto-photoshop ney)
Da minha janela, neste momento, consigo espiar o meu próprio passado. Nele, acesso lembranças agradáveis de um tempo que ficou para trás mas que, as vezes, me abraça gentilmente. Eu permito esta liberdade que o passado tem comigo, este vai-e-vem é matéria-prima para meus devaneios e, sobretudo, me certifico de quão feliz também fui. Reconheço que a felicidade é minha companheira antiga. Ela é como minha pele que me cobre, que me protege das intempéries do tempo. A felicidade me envolve, me espera me respeita. Ela se retira vez por outra, dando-me o direito de também sentir tristeza. É como se ela soubesse o benefício que os sentimentos doloridos nos trazem. Ela não se importa, ela espera. A felicidade é como um anjo bom que não interfere no meu aprendizado, ao contrário ela divide seu espaço de uma forma totalmente desinteressada. Não digo que ela é inconstante porque eu também o seria. De maneira nenhuma! Estou afirmando que ela não é pretensiosa nem exclusivista. Sinto a minha felicidade desapegada, extremamente madura. Em função disso, seremos ligados eternamente. Diante de uma situação difícil, ela se ausenta retornando tão somente quando eu estiver em condições reais de recebê-la. O que me conforta é que a cada convite meu, a felicidade me abraça. Assim, da minha janela consigo espiar o meu futuro. Meus devaneios sinalizam o quanto seguirei me relacionando bem com todos os sentimentos, alegres ou tristes, que experimentarei ao longo desta vida. Por isso, eu permito que o meu futuro me seduza, pois sei que é lá que passarei a maior parte do meu tempo. Gilberto Wiese.


