
Querendo ou não, hipocrisias ou preconceitos à parte, foi uma época que nos marcou. E sem ser um boêmio, um malandro, um bom em sinuca ou bilhar, ou dança de salão, eu estava simplesmente lá vivendo meus momentos.E foram no Rio e em SAMPA, mas em São Paulo eu morava sozinho, no centro, e vivia nas ruas, nas noites, um pouco dessas casas de dança, samba, boites, táxi danças e outras, mas também os teatros, cinemas, restaurantes. Noites iluminadas, ruas cheias de gente, muitas de outras cidades, estados, países, imensidão cosmopolita, pessoas buscam seus espaços, realizações, integração, vivem alegrias, saudades, encontros e desencontros, e cada um se entende do seu jeito, e o recente filme CHEGA DE SAUDADE contou um pouco dessas histórias de casas de danças. Ouvindo os grandes boleros sinto saudades (besame mucho, solamente una vez, El dia que me quieras)... talvez pensem os filhos, netos, que já nascemos idosos, caretas, mas vivemos nossas épocas:
Boleros, dois pra lá, dois pra cá
Magia, devaneio, imagens do passado
Longe de casa, nas ruas da cidade
Saudade, mocidade
As escadas de madeira, corrimão
Dando acesso ao grande salão
Rosto colado, braços em abraços
Corpos juntos na melodia
Ritmo embriagante
Música envolvente
Perfume, ruge, batom, flor no cabelo
Sensações, olhares insinuantes
Pensamento delirante
Confuso, talvez buscando longe a namorada
Dançando com outra a saudade
Paixão passageira, ausência, solidão, traição
Momentos, instantes,
Iludem as distâncias
E nunca se sabe
Onde podem ir
Matar a saudade
Aplacar o calor
Serenar a alma
Enganar o coração. (ney).
Lembro do Salão Azul e Santa Cruz, no centro de Niterói (sinuca e bilhar), danças no Harmonia; no Rio a Lapa, Pça.Tiradentes, Estudantina, Rua Alice; em Sampa a Rio Branco, Duque de Caxias, Ipiranga, Major Sertório, Bilhar da São João, Brig. Luiz Antonio.
















