
domingo, 16 de novembro de 2008
sábado, 15 de novembro de 2008
PASSEIO PELA ORLA NO PÔR-DO-SOL




Clique sobre as imagens para ampliá-las (fotos ney).Ou quando uma nuvem passa a mão por cima da luz..." (Fernando Pessoa).
AINDA SOBRE CASARÕES II


sexta-feira, 14 de novembro de 2008
AINDA SOBRE O CASARÃO - A BELA VISTA A SUA FRENTE





Clique sobre as imagens para ampliá-las (fotos ney).
As praias de Charitas e São Francisco (Niterói), que ficam bem a frente desse casarão... e fui apreciar o fim de tarde e não podia deixar de fotografar.
BANQUINHO MÁGICO...

Está vendo essa estradinha de terra? Muito bonita, não acha? Siga por ela, e quando chegar ali na frente, entre à esquerda e senta naquele banquinho, na sombra daquela frondosa árvore, vai ver que gostoso que é. Ali sopra uma agradável brisa, e você vai poder descansar desse longo caminhar e desse sol que está muito quente.
A TERRA VISTA DA LUA

ANIVERSÁRIO - Fernando Pessoa


Clique sobre as imagens para ampliá-las (fotos ney charitas-casarão).
Ah, que pena! Um casarão assim tão bonito, e parece abandonado, a grade toda enferrujada. E assim na beira do mar, uma linda paisagem. E ele deve ter tantas histórias para contar.
Vou aproveitar a beleza do lugar e postar um lindo texto do Fernando Pessoa, de 1929, que fala desse longo caminhar, dos anos e aniversários que vão passando, e esse poema foi até citado na postagem anterior.
Aniversário
Fernando Pessoa (Álvaro de Campos)
No TEMPO em que festejavam o dia dos meus anos, eu era feliz e ninguém estava morto.Na casa antiga, até eu fazer anos era uma tradição de há séculos. E a alegria de todos, e a minha, estava certa com uma religião qualquer. No TEMPO em que festejavam o dia dos meus anos, eu tinha a grande saúde de não perceber coisa nenhuma. De ser inteligente para entre a família, e de não ter as esperanças que os outros tinham por mim. Quando vim a ter esperanças, já não sabia ter esperanças. Quando vim a olhar para a vida, perdera o sentido da vida. Sim, o que fui de suposto a mim-mesmo, o que fui de coração e parentesco. O que fui de serões de meia-província, o que fui de amarem-me e eu ser menino. O que fui — ai, meu Deus!, o que só hoje sei que fui...
A que distância!...(Nem o acho...) o tempo em que festejavam o dia dos meus anos! O que eu sou hoje é como a umidade no corredor do fim da casa, pondo grelado nas paredes...O que eu sou hoje (e a casa dos que me amaram treme através das minhas lágrimas), o que eu sou hoje é terem vendido a casa, é terem morrido todos. É estar eu sobrevivente a mim-mesmo como um fósforo frio... No tempo em que festejavam o dia dos meus anos...Que meu amor, como uma pessoa, esse tempo! Desejo físico da alma de se encontrar ali outra vez, por uma viagem metafísica e carnal, com uma dualidade de eu para mim...Comer o passado como pão de fome, sem tempo de manteiga nos dentes! Vejo tudo outra vez com uma nitidez que me cega para o que há aqui...A mesa posta com mais lugares, com melhores desenhos na loiça, com mais copos, o aparador com muitas coisas — doces, frutas o resto na sombra debaixo do alçado —, as tias velhas, os primos diferentes, e tudo era por minha causa, no tempo em que festejavam o dia dos meus anos...
Pára, meu coração! Não penses! Deixa o pensar na cabeça! Ó meu Deus, meu Deus, meu Deus!Hoje já não faço anos. Duro. Somam-se-me dias. Serei velho quando o for.Mais nada. Raiva de não ter trazido o passado roubado na algibeira!...O tempo em que festejavam o dia dos meus anos!...
15/10/1929




